Inconsistências nos resultados são problemas no diagnóstico do mormo, conclui audiência no Senado

Inconsistências nos resultados são problemas no diagnóstico do mormo, conclui audiência no Senado

Postado em: 11 de julho de 2016

Inconsistências nos resultados são problemas no diagnóstico do mormo, conclui audiência no Senado

Apesar da garantia de que o Brasil possui capacidade técnica para diagnosticar o mormo, doença que vem afetando o plantel de cavalos, burros e mulas no país, os laboratórios nacionais enfrentam dificuldades para lidar com uma peculiaridade: a sororeversão, o desaparecimento, em novas amostras, dos anticorpos que indicavam a infecção em animais antes positivados para a enfermidade bacteriana, mas sem haver uma cura. Essa inconsistência de resultados positivos e negativos tem gerado desconfiança e indignação em produtores.

Este foi o teor da exposição dos representantes dos criadores, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e dos Laboratórios Nacionais Agropecuários (Lanagro), vinculados ao Ministério, durante a segunda audiência pública da Comissão de Agricultura (CRA) para discutir o tema, na última quinta-feira (7).

Atualmente, os Lanagro de Pernambuco e Pará são os mais capacitados para realizar o diagnóstico do mormo, explicou Leandro Barbieri, da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa. O governo vem trabalhando para expandir essa rede, que conta com seis Lanagros e 28 laboratórios particulares credenciados nacionalmente, disse ainda. Do resultado desses exames, depende a decisão de suspender ou não as atividades de um haras e de sacrificar animais contaminados.

A pesquisadora Fabiola Correa, do Lanagro-PE, garantiu que as técnicas em uso no Brasil são as mesmas adotadas por laboratórios em países com os quais a instituição tem estreita colaboração.

“Estamos em treinamento, estamos trabalhando em conjunto. A perspectiva é boa, mantemos contato constante com o pessoal de referência de Alemanha, França, Dubai. Trabalhamos em conjunto, a gente trabalha com as técnicas disponíveis, com o que existe no momento, mas claro que podemos melhorar”, afirmou.

Porém, esses exames às vezes têm dado resultados falsos. Negativo, apesar de haver contaminação, ou positivo e o animal não estar realmente doente, ou, ainda, apresentar os sintomas, mas não possuir a bactéria. Para que os diagnósticos sejam seguros, o presidente da Associação Brasileira dos Médicos Veterinários de Equídeos, Rui Vincenzi, defendeu a padronização dos procedimentos para evitar o que chamou de “dança de resultados”. Problemas com o envio de amostras, o acondicionamento e a temperatura, por exemplo, em sua opinião, afetam os resultados.

“O ideal seria termos reagentes iguais, tanto na rede credenciada particular como na rede oficial, tanto do reagente, dos antígenos, das técnicas, se é a frio ou a quente. Talvez a padronização seja um dos fatores que vai eliminar esse problema do positivo-negativo”, disse.

Segundo Fernando dos Santos, médico veterinário do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), um dos problemas está na sensibilidade dos testes disponíveis. Um dos desafios para o futuro é adotar uma combinação de exames que possibilitem mais sensibilidade e mais especificidade, com baixo custo e disponíveis no comércio.

Dois pesos

Autor do requerimento de audiência, o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) acusou o governo de atuar com dois pesos e duas medidas nas interdições dos haras. A Coudelaria Souza Leão, em Pernambuco, onde já foram sacrificados mais de 200 cavalos, está interditada desde 2009. Com o Complexo Militar de Deodoro, no Rio de Janeiro, onde serão realizadas as provas de hipismo nas Olimpíadas e houve o diagnóstico de um cavalo com mormo, a situação foi diferente.

“É muito difícil para nós entendermos dois pesos e duas medidas na análise. O Complexo Deodoro ele foi liberado em pouco mais de trinta dias. E as outras propriedades rurais estão sendo interditadas há anos. Nós temos aqui proprietários de haras que quebraram, estão falidos”, lamentou.

Leandro Barbieri, do Mapa, explicou que a desinterdição das propriedades obedece a um processo e a demora depende de cada caso, e revelou que o processo em Deodoro levou cinco meses e não um, como afirmou Caiado.

Ronaldo Caiado e o senador Waldemir Moka (PMDB-MS) sugeriram uma parceria entre produtores, órgãos técnicos e o Ministério da Agricultura para dar adotar uma padronização nos exames e melhorar o diagnóstico e, assim, dar celeridade à liberação das propriedades.

“Estamos diante de uma doença complexa, com diagnóstico complicado. Nunca tinha ouvido falar que você pode ter, na sorologia, positivo, depois negativo e o animal ainda ser considerado doente. É uma coisa complexa, e a base dessa confusão toda é essa, dá uma insegurança muito grande”, lamentou Moka.

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Mormo

O mormo é uma doença bacteriana grave e contagiosa que ataca equinos, mas pode também ser transmitida ao homem e a outros animais. Os sintomas são corrimento nas narinas e nódulos nas mucosas nasais e nos pulmões do animal, sendo também frequentes casos assintomáticos. Constatada a doença, o cavalo é geralmente sacrificado para evitar a contaminação de outros animais.

Por: Agência Senado