Febre aftosa: Ministério da Agricultura proíbe comercialização de vacinas de 5 ml

Febre aftosa: Ministério da Agricultura proíbe comercialização de vacinas de 5 ml

Postado em: 5 de abril de 2019

Febre aftosa: Ministério da Agricultura proíbe comercialização de vacinas de 5 ml

Em resposta aos questionamentos das agências de defesa sobre a destinação das vacinas de doses de 5 ml utilizadas na vacinação contra febre aftosa e que estão em estoque nas revendas o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) enviou na última terça-feira, dia 2 de abril, um Comunicado com importantes com orientações sobre a comercialização e utilização do produto, para todo País.

Através do Comunicado 45, assinado pelo Chefe de Saúde Animal do Ministério, foi determinado que as vacinas bivalentes e trivalentes de 5 ml não poderão ser mais comercializadas pelas revendas e utilizadas pelos pecuaristas.

Segundo o diretor-presidente da Iagro, Luciano Chiochetta, o comunicado destaca o memorando 74, de dezembro do ano passado, que ajustava procedimentos de transição para redução da dose. O documento autorizou a utilização da vacina com dose de 5 ml até trinta dias antes do início da primeira campanha de vacinação de 2019, que começa oficialmente em Mato Grosso do Sul no próximo dia 1º de maio. O mesmo documento orientou que qualquer vacina com essa posologia (estoque remanescente) deveria ser recolhida pelo setor privado.

Luciano destacou ainda que o departamento de Fiscalização e Insumos pecuários do Ministério juntamente com o Sindicato Nacional das Indústrias de Produtos para Saúde Animal, o SINDAN, estabeleceu, ainda em novembro último, um planejamento e cronograma para que a partir deste ano fossem utilizadas apenas as vacinas bivalentes com a nova dosagem, 2 ml.

As vantagens na redução da dose, segundo Luciano, é que irão ocorrer menos reações nos animais (caroços, inchaço) e com frascos menores, as vacinas ocuparão menos espaço, facilitando o transporte e reduzindo o custo de refrigeração.

O documento com as orientações do Mapa foi disponibilizado a todas as revendas do Estado imediatamente ao seu recebimento pelo Coordenador do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção de Febre Aftosa (PNEFA), o fiscal estadual agropecuário e médico veterinário, Fernando Endrigo Ramos Garcia.

A alteração da dosagem da vacina – hoje obrigatória em bovinos e bubalinos – e sua retirada definitiva em todo País fazem parte do Plano Estratégico 2017-2026 do Programa Nacional de Febre Aftosa (PNEFA) que busca a mudança de status para ‘livre de febre aftosa sem vacinação’. A ação deve reduzir o custo da produção, ampliando a competividade, ficando a carne brasileira ainda mais suscetível a conquista de novos mercados.

Plano Estratégico de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (Pnefa)

Para execução do Plano Estratégico de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (Pnefa), os Estados foram divididos em cinco blocos pecuários para que seja feita a transição de área livre da aftosa com vacinação para sem vacinação. Integram o Bloco I, Acre e Rondônia; o Bloco II: Amazonas, Amapá, Pará e Roraima; o Bloco III: Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte; Bloco IV: Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e Tocantins, e; Bloco V: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Retirada da vacinação até 2021

Mato Grosso do Sul, que tem se mantido entre os três estados com melhor percentual de cobertura vacinal do País, e é destaque em todo País pela excelência do serviço oficial de defesa agropecuária, vem trabalhando com afinco na agenda do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) que prevê a retirada definitiva da vacinação até 2021. O programa está alinhado com o Código Sanitário para os Animais Terrestres, da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), e as diretrizes do Programa Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa (Phefa), em prol também da erradicação da doença na América do Sul.

Vacinação obrigatória – etapa de maio

Na campanha deste ano, além de chamar a atenção para a obrigatoriedade da vacinação, a nova dosagem, e informar o calendário, a Iagro e as agências de todo País reforçarão aos pecuaristas os cuidados sobre todo processo até a aplicação da vacina e depois disto, conforme seguem:

– Compre as vacinas somente em lojas registradas.

– Verifique se as vacinas estão na temperatura correta (2° C a 8° C).

– Para transportá-las, use caixa térmica, coloque três partes de gelo para uma de vacina e lacre.

– Mantenha a vacina no gelo até o momento da aplicação. Escolha a hora mais fresca do dia e reúna o gado. Mas lembre-se: só vacine bovinos e búfalos.

– Durante a vacinação, mantenha a seringa e as vacinas na caixa térmica e use agulhas novas, adequadas e limpas. A higiene e a limpeza são fundamentais para a boa vacinação.

– Agite o frasco antes de usar e aplique a dosagem certa em todos os animais: 2 ml.

– O lugar correto de aplicação é a tábua do pescoço, podendo ser no músculo ou embaixo da pele. Aplique com calma.

– Não esqueça de preencher a Declaração de Vacinação e entregá-la na Iagro junto com a Nota Fiscal de compra das vacinas.

Texto: Kelly Ventorim/Assessoria de Comunicação Semagro

Foto: Denilson Secreta/Governo de MS