Brasil reforça vigilância após notificação de foco de aftosa na fronteira

Brasil reforça vigilância após notificação de foco de aftosa na fronteira

Postado em: 13 de abril de 2018

Brasil reforça vigilância após notificação de foco de aftosa na fronteira

O diretor do Departamento de Saúde Animal (DSA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Guilherme Marques, informou que o Mapa emitiu alerta às Superintendências Federais de Agricultura do Amazonas e de Roraima para reforçar a fiscalização e vigilância na região de fronteira internacional.

O reforço foi adotado devido ao foco de aftosa registrado em 15 animais já sacrificados e provenientes da Venezuela, conforme o Instituto Colombiano Agropecuário (ICA). Marques garantiu que “a situação está sob controle e não representa risco sanitário para o Brasil”. Além disso, a região já é tratada com atenção especial pelo serviço veterinário brasileiro, devido ao histórico de ocorrências da febre aftosa.

O ICA informou ainda que o confisco dos animais foi realizado em um posto de controle administrado pelo Exército, quando o gado era transportado em caminhão com destino à Tame, no departamento de Arauca, ambos localizados na Colômbia.

O ICA notificou a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) sobre a situação, que deve alterar o status sanitário da Colômbia em relação à febre aftosa. Até agora, a Colômbia mantinha uma zona de contenção não livre da doença, devido às ocorrências no país em 2017, e o restante do país era reconhecido pela OIE como zona livre com vacinação. O departamento de Arauca está incluído dentro da zona de contenção estabelecida pelo ICA.

Em relação ao Brasil, a ocorrência está localizada cerca de 600 Km da fronteira mais próxima, no estado do Amazonas, sendo uma região de densas florestas e sem ocupação pecuária. A parte de maior importância para a sanidade animal fica na região de Pacaraima, em Roraima, cerca de 1.200 Km da região de ocorrência da doença na Colômbia.

A fronteira do Brasil com a Venezuela também é caracterizada por presença de densas florestas e áreas acidentadas, praticamente sem ocupação pecuária. Nesta região, a ocupação pecuária é muito baixa do lado venezuelano e não há histórico de focos de febre aftosa nos últimos anos. Assim mesmo, o serviço veterinário oficial do Brasil, exercido pelo Mapa e pela Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (ADERR) atuam de forma permanente para a prevenção de ingresso da doença.

Além das estruturas de fiscalização do Mapa, a Polícia Federal, Receita Federal e ADERR fazem vigilância permanente para evitar ingressos de animais e mercadorias que possam representar riscos de veiculação de doenças. Está implantada uma zona de proteção definida pelo Mapa que conta com medidas específicas de vigilância, como: identificação individual dos animais; vacinação oficial de todo o rebanho duas vezes ao ano; vigilância ativa de propriedades; e controle do trânsito de ingresso e egresso de animais e produtos de risco.

Reunião Cosalfa

Reunião da Comissão Sul Americana para a Luta contra a Febre Aftosa (Cosalfa) marcada para a próxima semana (16 a 21), na Bolívia, servirá para conhecer o trabalho feito na Colômbia, após o registro de focos de febre aftosa ocorridos em julho do ano passado e neste mês. O diretor do Departamento de Saúde Animal do Mapa e presidente da Cosalfa, Guilherme Marques, vai participar da reunião, pois o Brasil acompanha com atenção a situação colombiana, devido a fronteira daquele país com a região Norte do Brasil, que em 2019 deverá começar a retirada da vacinação contra a aftosa.

Na reunião da Cosalfa, a Venezuela cuja situação sanitária é desconhecida, também terá que mostrar se está avançando no combate à doença. “A expectativa é muito grande em relação à Venezuela, considerando a característica do país e também as outras informações sobre as condições sanitárias e epidemiológicas referentes à febre aftosa”, explicou Marques.

Banco de vacinas

A proposta de criação do banco de vacinas contra a aftosa, o Banvaco, feita pelo Brasil na reunião da Cosalfa, em abril de 2017, também será discutida. “O Brasil assumirá a liderança na criação do banco para ter a garantia de suprimento do produto, se necessário, mesmo adotando um plano de retirada gradual da vacinação. É preciso um estoque para utilização em situações estratégicas e em eventuais surtos, contra enfermidades que possam acontecer em qualquer parte das Américas”, afirmou o diretor.

No Banvaco está prevista a disponibilização de todas as cepas (linhagens) de vírus que já se propagaram no território brasileiro, bem como as exóticas para eventuais riscos da introdução delas no continente Sul Americano. A criação do banco está despertando também o interesse do Canadá e dos Estados Unidos, para estarem preparados e terem à sua disposição produto em quantidade e qualidade suficiente para atender qualquer reintrodução da doença em seus territórios.

Marques explica que muito mais importante do que ter milhões de doses de vacinas estocadas, que podem perder a validade, é fundamental dispor do antígeno (substância que provoca a resposta imunológica do organismo) e a experiência para a produção destas vacinas. Também são necessárias indústrias com capacidade de produção da vacina em poucas horas para atender emergências.

Fonte: Mapa/ Foto: Instituto Colombiano Agropecuario (ICA)